A criação do Taijiquan é cercada por lendas que foram transmitidas por séculos. Uma delas, onde um monge taoísta do século 12, chamado Zhang San Feng foi chamado pelo imperador até Kai Feng, a antiga capital. No meio da viagem, Zhang foi atacado por mais de cem bandidos e teve que se esconder. Durante a noite ele foi visitado pelo Espírito da Montanha Wu Dang, que o ensinou as técnincas de artes marciais que mais tarde seriam conhecidas como o Tai Ji Quan. Apesar de todas as lendas que cercam a criação do Tai Ji Quan, a história que pode ser traçada numa linha do tempo encerra suas origens no condado de Wenxian, na província de Henan. Chen Wangting, do vilarejo de Chen Jiagou, e Jiang Fa, que estudou artes marciais em Shanxi e morou na vila de Xiaoliu, ambos de Wenxian.
Independente do verdadeiro criador, o Taijiquan encerra estes três princípios básicos:
A assimilação dos fundamentos e a prática em formas tradicionais de Wushu. Os fundamentos do Taijiquan possuem muitas posturas e movimentos encontrados em outras artes marciais tradicionais chinesas da época.
A assimilação dos métodos tradicionais de cultivo da saúde. O Taijiquan demonstra ser um dos mais recentes desenvolvimentos dentro do processo gradual que se estende por séculos, combinando o wushu com formas tradicionais de exercícios internos, meditação e exercícios calestênicos para melhorar a saúde e atingir a longevidade. Estes envolviam relaxamento, concentração e técnicas respiratórias. Muitos destes elementos podem ser vistos dentro do Taijiquan.
A assimilação das teorias clássicas de medicina e filosofia. O Taijiquan, como muitos dos exercícios acima mencionados, adotou as teorias tradicinais da medicina chinesa para promover o Qi, ou energia vital, que circula pelo corpo humano para assegurar um ótimo funcionamento para os órgãos internos. Quanto à parte filosófica, o Taijiquan está intrinsecamente ligado ao Bagua e outras tradições taoístas.
Todos os estilos descritos abaixo são oficialmente reconhecidos como estilos tradicionais de arte marcial chinesa. Existem outros estilos de Taijiquan, como os simplificados (de 24, 48, 66 e 88 movimentos) que têm por base o estilo Yang, mas não são oficialmente reconhecidos. Na Associação Cultural Sino-Carioca os estilos Chen e Yang são adotados como prática.
Estilo Chen – Esta é a forma original do Taijiquan, proveniente de Henan, desenvolvida pela família Chen e só chegou em Beijing em 1928. Este estilo ainda mantém alguns dos saltos, pisões, explosões de energia e movimentos fortes e graciosos. Com muitas voltas e torções a sua prática é difícil e cansativa.
Estilo Yang – Desenvolvida a partir do estilo Chen por Yang Luchan, a forma existente nos dias de hoje foi desenvolvida pelo seu neto, Yang Chengfu. Sendo o estilo mais popular e conhecido na China, e no resto do mundo, os seus movimentos são proporcionais e relaxados.
Estilo Wu – Desenvolvido em Beijing por Wu Quanyou e o seu filho, Wu Jianquan, baseada na prática do estilo Yang por ambos. Desbancada pela popularidade da escola Yang, a escola Wu tem os seus movimentos como suaves, lentos e compactos.
Estilo Hao – Desenvolvido originalmente por Wu YuXiang que estudou em Henan o estilo da família Chen. Hao Weizhen, discípulo de Wu, levou o estilo até Beijing. Suas características principais são a simplicidade e clareza, nos movimentos lentos, suavez e compactos, bases mais altas e caminhar restrito.
Estilo Sun – No final da dinastia Qing, Sun Lutang estudou Xingyiquan, Baguazhang, e, em seguida, Taijiquan estilo Hao e assim desenvolveu o seu próprio estilo. Os movimentos são ligeiros e leves, utilizando métodos de abrir e fechar as mãos. Uma característica marcante do estilo Sun é a ligeira movimentação de base.